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sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Yes, can we?

CHAAAANGE!

Não... está tudo na mesma. O que estará a acontecer na cabeça do eleitorado americano? E nos outros países?

Acabou a época de exames, a altura do ano em que o mundo cessa na vida dos estudantes de medicina. Ainda assim fui dando uma olhadela às notícias. Vi um plano para resgatar as empresas da crise, não tenho visto resultados efectivos. Ainda é cedo. Mas cedo numa perspectiva de economia empresarial é tardíssimo aos olhos de um indivíduo. Então quando o indivíduo tem a hipoteca para pagar e está com medo de ser despedido, cedo é uma eternidade.

Estarão os americanos com um sorriso na cara? A comer lama e a adorar? Não há nada a fazer, sem dúvida, a regra de ouro na situação com que nos deparamos é sobreviver. Parte do mundo contava com o termo do caos coincidindo com o mandato de Barack. A outra parte gritava para o lado contrário "Otários!", sem se fazerem ouvir, somos só uns centos. Receio agora que este acordar, o acordar do "isto afinal não vai melhorar do dia para a noite" possa causar mais estragos ainda. O último "acordar" foi o que deu origem a isto tudo (indirectamente, a causa é claro a especulação, os bolsistas a correrem no infantário sem vigilantes e os emprestimos a talharem as leis e não o contrário). O poder das massas acéfalas mete-me muito medo.

Muito medo. Força Obama, bate a tua varinha de condão e faz do mundo um conto de fadas...

quinta-feira, outubro 16, 2008

Sobre mamas, amor e fé


Quando acordei tive dúvidas acerca do tópico deste texto. Mamas ou amor? É certo que o mundo gira em volta destes dois (ou três) assuntos. Torna-se complicado escolher. São assuntos muito trabalhados por diversos autores, já foram vistos por todos os ângulos e as opiniões de quem os experiencia são extremamente variadas. Portanto vou falar da crise económica, algo que influencia ambos os últimos.

Ora vejamos, a crise económica leva o casal a ter que se esfolar para pagar os 340 (mil) empréstimos que contraíram. Assim chegam a casa todos os dias carrancudos e quem sofre é o amor, o sentimento e o verbo. Não há amor nem "o" amor! E sem dinheiro para comprar uma marca de leite que venha da vaca, a última coisa a pensar é em juntar um dinheirinho para aqueles implantes de silicone que ele (e ela) tanto quer!


A verdade é que toda a gente já ouviu falar da crise, nem que seja porque eu contei. E uma crise como estas vem dividida em dois tempos ou três, se tiverem atenção.

O primeiro tempo, difícil de distinguir para o comum mortal, é a entrada em crise. Sim, nós estamos sempre a entrar em crise, a subida dos juros não é entrada em crise, sempre que um português diz "isto é a crise" não é crise! Poucos conseguem olhar para o mercado e dizer "se esta tendência do mercado se mantém, isto não vai dar sopa de agrião", ainda menos os que conseguem utilizar termos técnicos em vez de sopas deliciosas. A entrada na panela passou-nos mais ou menos despercebida, até porque teve um maior peso nos Estados Unidos e as únicas notícias a vir de lá para os jornais portugueses são entre o Obama e a Palin (não contem com o velhinho, já não vale a pena).

O segundo tempo é meso, é o ponto de viragem em que toda a gente se apercebeu da borrada que se fez. Os empresários têm medo pelos seus bancos e investimentos, os cidadãos singulares têm medo que o dinheiro que têm no banco vá dar um passeio ao bolso de alguém. E esta é uma altura muito sensível! Não fossem tomadas grandes medidas para assegurar aos povos (lembrai-vos que no mundo não estamos sozinhos e a economia Ocidental funciona como um castelo de cartas) os seus 15€ que estão na caixa ou no BES, existiria um risco aumentado da corrida ao banco. E a corrida ao banco é equivalente ao retirar a carta da base do castelo, é o quebrar completo da economia.

Neste momento a situação já se encontra semi-endereçada com as acções dos governos. No entanto existe um passo muito importante no reanimar económico: a fé. A economia de um país e do mundo baseia-se em dois componentes muito importantes: o "expertize" dos profissionais e a "fé" de todos. Se o senhor do bigode ou o senhor do cabelo lambido pela vaca não acreditam que se meterem dinheiro na máquina ela retribui com mais dinheiro, então vão é meter o dinheiro no bordel que ao menos ficam bem servidos (e afinal de contas já têm os dois herpes e clamídia, qual é o problema?). A perspectiva é positiva, pelo menos parece-me que a fé está a aumentar. O que leva ao terceiro tempo.

O terceiro tempo é o prognóstico. Como na história natural da doença, leva a remissão, morbilidade ou morte.

Na remissão dos sintomas económicos, a máquina do investimento a pouco e pouco volta a ter a cridibilidade e força de antes. Os investidores retomam a sua fé e está tudo bem... pelo menos até serem incrivelmente idiotas para voltarem a investir em algo perfeitamente estúpido e perderem o dinheiro... de novo, voltando a ter uma crise... de novo.

Na morbilidade a máquina fica quase permanentemente afectada. É certo que não existe uma sincronia entre o que se passa com o corpo humano e a economia, esta última regenera sempre enquanto houver humanos. Mas pode sofrer um embate tal que a credibilidade de certas instituições, certos negócios e a máquina empresarial em geral fiquem gravemente manchadas. Isto traz consequências a longo prazo, abrandando o crescimento. Mas a gente já passou pela inquisição, avanços mais lentos que nesse tempo são impossíveis!

Hoje tiveram que arrancar o pequeno almoço das rodas do carro? Foram trabalhar ou à escola? Os grupos da vossa roda alimentar são "do esgoto", "atropelado", "canibalismo" e "madeira prensada"? Então ainda não se chegou à morte do sistema económico, tal como na grande depressão que estudaram na escolinha. Existe uma paralização tão grave do sector económico que a rotação e geração de riquesa estagnam. As empresas fecham, as pessoas ficam desempregadas e sem dinheiro. Os preços baixam tanto devido à queda na procura que deixam de haver lucros, que levam mais empresas a fechar e mais pessoas a ir para a rua. É uma festa que só pára num óptimo plano ou num péssimo regime. De qualquer forma as consequências da morte económica são tão nefastas que serão impensáveis para a maioria da população ocidental.


Rezem... tenham fé... POR FAVOR!!!